A história do jiu-jítsu no Amazonas também é construída pelas trajetórias de mestres que ajudaram a formar gerações de atletas e a consolidar a modalidade no estado. Entre esses nomes estão Osvaldo Alves de Albuquerque, Roberval “Ajuricaba” Mascarenhas e Nonato Machado, cujas contribuições continuam presentes na memória da comunidade esportiva amazonense.
A homenagem, destacada na coluna Um Amazonas de Lutas, do jornalista Almério Augusto, chama atenção para a importância de preservar a história de personalidades que ultrapassaram os resultados das competições e deixaram marcas na formação de professores, atletas e projetos sociais.
Osvaldo Alves: referência internacional da arte suave
Nascido no Acre e criado no Rio de Janeiro, Osvaldo Alves de Albuquerque tornou-se um dos grandes nomes do jiu-jítsu brasileiro. Conhecido como “Enciclopédia do Jiu-Jitsu”, recebeu reconhecimento internacional pela contribuição técnica e pela formação de atletas.
O mestre faleceu em julho de 2022, aos 83 anos. Durante sua trajetória, influenciou lutadores que alcançaram destaque no esporte, entre eles Vitor Belfort, Amaury Bitetti, Ronaldo Jacaré e Bibiano Fernandes.
No Amazonas, sua atuação ajudou a fortalecer a modalidade e ampliar a formação de novos praticantes.
Ajuricaba: professor e formador de gerações
Roberval Mascarenhas, conhecido como Ajuricaba, também ocupa lugar importante na história das artes marciais do estado.
Antes de se dedicar ao jiu-jítsu, construiu trajetória na natação. Começou a treinar a arte suave na década de 1980 e conquistou o título de campeão brasileiro adulto na categoria absoluto, em 1995, no Rio de Janeiro.
Como professor, comandou durante os anos 1990 o tatame do tradicional Clube da Caixa, em Manaus, onde ajudou a formar atletas que posteriormente desenvolveram suas próprias carreiras.
Em setembro de 2026, alunos, amigos e admiradores organizaram uma homenagem póstuma ao mestre, com a entrega simbólica da graduação à faixa coral vermelha e preta.
Nonato Machado: esporte como transformação social
Outro nome lembrado é Nonato Machado, que esteve à frente da equipe internacional Nova União no Amazonas.
Sua contribuição é associada ao uso do jiu-jítsu como instrumento de educação, disciplina e transformação social. O trabalho desenvolvido ajudou pessoas a encontrar no esporte oportunidades de aprendizado, desenvolvimento pessoal e construção de novos caminhos.
O legado desses três mestres demonstra que a importância do jiu-jítsu não está restrita às medalhas e aos títulos. A formação humana, a transmissão de conhecimento e a criação de oportunidades também fazem parte da história da modalidade no Amazonas.
Uma história que continua nos tatames
A preservação da memória dos antigos mestres depende também dos alunos, professores, academias e projetos que mantêm seus ensinamentos vivos.
No Amazonas, o jiu-jítsu se tornou uma referência esportiva e social, com atletas que conquistaram reconhecimento dentro e fora do país. Essa trajetória foi construída ao longo de décadas, a partir do trabalho de pioneiros e de gerações que deram continuidade à modalidade.
A homenagem reforça a importância de reconhecer aqueles que contribuíram para transformar o esporte em parte da identidade esportiva amazonense.