Autazes volta às manchetes negativas após homologação de pregão milionário sem detalhamento

O despacho de homologação foi assinado pelo prefeito Thomé Neto, e o documento não detalha cronograma de execução.

Autazes volta às manchetes negativas após homologação de pregão milionário sem detalhamento

Mais uma vez, o município de Autazes ganha destaque em portais de notícias de forma negativa. No dia 16 de fevereiro de 2026, o Portal Amazonas 1 publicou matéria revelando a homologação de um pregão eletrônico no valor de R$ 16,1 milhões para locação de máquinas, sem a apresentação de informações claras sobre como, quando e onde esses serviços serão executados.

Segundo a reportagem, a Prefeitura de Autazes homologou o Pregão Eletrônico nº 023/2025 – SRP, destinado ao registro de preços para futura e eventual contratação de empresa especializada na locação de hora-máquina. O despacho de adjudicação e homologação foi assinado pelo prefeito José Thomé Neto e publicado em 28 de janeiro. A empresa vencedora foi a A L Gestão Empresarial Ltda, com proposta global de R$ 16.150.136,02.

De acordo com o documento oficial, o pregão segue o modelo de registro de preços, o que significa que não há obrigatoriedade de contratação imediata das quantidades estimadas. A gestão municipal afirma que o processo obedeceu às normas legais, resultando em proposta considerada exequível e satisfatória ao interesse público. Ainda assim, chama atenção o fato de o despacho não trazer cronograma de execução, quantitativo mínimo de horas-máquina, tipos de equipamentos nem as localidades ou projetos que seriam priorizados.

Falta de transparência e repetição de problemas

O ponto central da matéria — e que reforça o caráter negativo da repercussão — é a ausência de detalhamento público em um contrato de valor elevado. Em um município que enfrenta demandas urgentes em infraestrutura, estradas vicinais, serviços urbanos e apoio à produção rural, a falta de clareza sobre onde e como esses recursos poderão ser utilizados levanta questionamentos legítimos da sociedade.

Outro aspecto que merece análise é o perfil da empresa vencedora. Conforme dados do CNPJ citados na reportagem, a A L Gestão Empresarial Ltda tem como atividade principal a gestão empresarial e reúne um amplo leque de atividades secundárias, que vão desde obras de urbanização e preparação de terrenos até comércio atacadista de alimentos e manutenção elétrica. Embora a diversidade de atividades não seja ilegal, ela reforça a necessidade de maior transparência técnica quanto à capacidade operacional específica para atender um contrato dessa magnitude.

A reportagem também destaca que o capital social da empresa é de R$ 3 milhões, valor consideravelmente inferior ao montante homologado no pregão, o que amplia o debate público sobre garantias, execução contratual e fiscalização.

Por fim, o Portal Amazonas 1 informa que buscou esclarecimentos junto à coordenação de comunicação do prefeito de Autazes, questionando pontos essenciais como cronograma, controle da execução, tipos de máquinas, secretarias envolvidas e mecanismos de transparência. Até a última atualização da matéria, não houve retorno, mantendo o espaço aberto para manifestação da prefeitura.

Repercussão negativa recorrente

O caso reforça um padrão que tem se repetido: Autazes volta a ocupar espaço nos noticiários estaduais não por avanços administrativos, mas por polêmicas ligadas à gestão de recursos públicos e à falta de informações claras. Em um cenário de cobrança crescente por transparência e responsabilidade fiscal, a ausência de respostas oficiais aprofunda a desconfiança e amplia o desgaste institucional do município.

A expectativa agora é que a administração municipal apresente esclarecimentos objetivos à população, demonstrando onde e de que forma um contrato desse porte poderá beneficiar, de fato, a coletividade. Enquanto isso não ocorre, Autazes segue estampando manchetes que reforçam questionamentos — e não soluções.