Ciranda Tradicional conquista bicampeonato no Festival de Cirandas de Manacapuru

Ciranda Tradicional conquista bicampeonato no Festival de Cirandas de Manacapuru
A Ciranda Tradicional conquistou, nesta segunda-feira, 31/8, o bicampeonato do 28º Festival de Cirandas de Manacapuru, município a 68 quilômetros de Manaus. A agremiação somou 279,8 pontos após a leitura das notas dos jurados, realizada no Parque do Ingá.

O segundo lugar ficou com a Ciranda Guerreiros Mura, que terminou a disputa com 278,6 pontos.

Já a Ciranda Flor Matizada não concorreu ao título neste ano. A agremiação recebeu a certificação Hors-Concours, uma premiação simbólica, após a morte do artista plástico Jone Salgado Martins, integrante da equipe responsável pela montagem das alegorias, na sexta-feira, 28/8 .

Tradicional levou defesa da Amazônia para a arena

A apresentação que garantiu o título à Tradicional aconteceu no domingo, 30, encerrando as noites de apresentações do festival.

Com o tema “Terricídio: Quando a Terra Enfrenta o Genocídio”, a agremiação levou para o Parque do Ingá um espetáculo voltado à defesa da Amazônia, à resistência dos povos tradicionais e à preservação da floresta.

A história apresentada na arena mostrou uma terra marcada pela destruição e, ao longo do espetáculo, passou por momentos de resistência até chegar a uma mensagem de esperança e transformação.

A apresentação também abordou questões sociais. A Tradicional levou para a arena mensagens contra a intolerância religiosa e a homofobia, além de destacar a importância dos povos indígenas, das religiões de matriz africana e da diversidade.

Espetáculo retratou conflitos e destruição da floresta

O espetáculo começou com uma representação do confronto entre colonizadores e povos indígenas.

O cordão de entrada foi dividido em dois momentos, misturando dança e interpretação teatral para contar os conflitos que deram início à narrativa.

Um dos momentos de destaque foi a entrada de uma alegoria que representava a batalha entre os dois povos. A estrutura passou a fazer parte da apresentação dos brincantes, unindo cenário, teatro e coreografia.

Na sequência, a Tradicional apresentou diferentes formas de “Terricídio”, abordando problemas históricos e atuais enfrentados pela Amazônia, como exploração da floresta, poluição, desmatamento e mudanças climáticas.

A narrativa terminou com a reação dos povos e personagens que lutam pela preservação do território.

Retorno após 17 anos

A noite também foi marcada pelo reencontro de um profissional com a história da agremiação.

Responsável pela coreografia do cordão de entrada, Felipe Pipow retornou à Tradicional após 17 anos. Na volta, encontrou uma nova geração de brincantes responsável por dar continuidade ao trabalho da ciranda.

Presidente comemora bicampeonato

O presidente da Ciranda Tradicional, Magal Pinheiro, afirmou que o título é resultado do trabalho realizado por todos os setores da agremiação.

“Esse título representa dever cumprido, representa compromisso e responsabilidade com o dinheiro público. A gente vem fazendo um investimento na Tradicional. Esse título também representa amor, acima de tudo, que faz ter esse gás de fazer o melhor para a nossa ciranda. É isso que a gente está fazendo”, afirmou.

Além do título de campeã, a Tradicional também conquistou o prêmio de Melhor Torcida, com a Torcida Oficial da Tradicional (TOT).

Guerreiros Mura fica em segundo lugar

Com 278,6 pontos, a Ciranda Guerreiros Mura terminou o festival na segunda colocação.

A agremiação apresentou o tema “Ykawarú: A cosmogonia do bem e do mal Apuricá”, levando ao público uma narrativa inspirada na história ancestral do povo Apurinã.

Flor Matizada recebe homenagem após morte de artista

A Ciranda Flor Matizada recebeu o troféu Hors-Concours durante a leitura das notas. A premiação tem caráter simbólico e não coloca a agremiação na disputa pelo título.

A decisão foi tomada após a morte do artista plástico Jone Salgado Martins, conhecido como Nico, que fazia parte da equipe responsável pela montagem das alegorias da ciranda.

Jone morreu na última sexta-feira, durante os preparativos para o festival, após sofrer um acidente enquanto trabalhava na montagem de uma alegoria no Parque do Ingá.

Mesmo diante da perda, a Flor Matizada decidiu entrar na arena para realizar a apresentação, mas abriu mão de disputar o título.

Além do troféu simbólico, a agremiação recebeu um certificado de participação, que também foi entregue à Torcida Família Matizada pela participação durante a apresentação nas arquibancadas.