PESQUISAS ELEITORAIS REPERCUTEM EM AUTAZES: JUSTIÇA SUSPENDE LEVANTAMENTO DO PROJETA, ENQUANTO EFICAZ APONTA DAVID ALMEIDA NO 2º TURNO
A suspensão judicial de um levantamento por falta de dados metodológicos contrasta com os números de outra pesquisa, que mostram uma disputa equilibrada entre os principais candidatos ao Governo do Amazonas, com ampla repercussão política em Autazes.

Duas pesquisas de intenção de voto divulgadas no fim de agosto apresentam retratos diferentes da corrida pelo Governo do Amazonas em 2026 e também chamam atenção por circunstâncias distintas envolvendo seus respectivos levantamentos.
De um lado, a Justiça Eleitoral determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa realizada pelo Instituto Projeta, registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas, o TRE-AM, sob o número AM-03824/2026. De outro, uma pesquisa mais recente do Instituto Eficaz, registrada sob o número AM-04910/2026, coloca David Almeida, do Avante, na segunda colocação na disputa, embora tecnicamente empatado com Roberto Cidade e Maria do Carmo dentro da margem de erro.
A diferença entre os dois episódios é fundamental. A decisão judicial envolvendo o Projeta não declarou que os números da pesquisa eram falsos ou fraudados. O problema apontado foi a falta de informações obrigatórias que permitissem a fiscalização da metodologia utilizada. Já o levantamento do Eficaz é apresentado com informações sobre amostra, período das entrevistas, margem de erro e nível de confiança.
JUSTIÇA ELEITORAL SUSPENDE DIVULGAÇÃO DO PROJETA
No caso do Instituto Projeta, a decisão liminar foi tomada no sábado, 29 de agosto, pela juíza auxiliar da propaganda eleitoral, Mara Elisa Andrade, após representação apresentada pela coligação “Pra Cima Amazonas”.
Segundo o processo, a empresa MP Valin & Cia Ltda.-ME, responsável pelo instituto, não teria apresentado dentro dos prazos estabelecidos pela legislação eleitoral determinadas informações consideradas obrigatórias para a fiscalização do levantamento.
Entre os dados questionados estavam informações sobre o número de eleitores entrevistados em cada setor censitário e a composição final da amostra de acordo com critérios como gênero, faixa etária, escolaridade e nível econômico.
Esses dados deveriam estar disponíveis dentro dos prazos previstos para permitir que partidos, candidatos e demais interessados verificassem como a pesquisa havia sido estruturada.
De acordo com a decisão, porém, as informações ainda não haviam sido apresentadas até 28 de agosto.
A Justiça também apontou a ausência, dentro do prazo previsto, de um relatório completo contendo resultados e informações metodológicas do levantamento.
Na avaliação da magistrada, a falta desses elementos comprometia a possibilidade de auditoria da pesquisa. Sem essas informações, não seria possível verificar adequadamente como a amostra foi construída, quais eleitores foram entrevistados e se a metodologia efetivamente correspondia ao que havia sido registrado.
Por esse motivo, o levantamento foi considerado, nas condições apontadas no processo, “metodologicamente inauditável”, podendo ser tratado como não registrado para os efeitos da legislação eleitoral.

PESQUISA DO PROJETA TEVE REPERCUSSÃO POLÍTICA
O episódio ganhou importância no cenário político de Autazes porque os números do levantamento haviam circulado amplamente no município, especialmente por meio de redes sociais e grupos ligados ao ambiente político.

A divulgação de pesquisas eleitorais pode exercer influência sobre a percepção do eleitorado. Quando determinado candidato aparece em posição de destaque, os números podem ser utilizados politicamente para transmitir a ideia de crescimento, liderança ou vantagem.
Por isso, a exigência de transparência metodológica não é apenas uma questão burocrática.
O eleitor precisa ter condições de saber como os números foram produzidos antes de utilizá-los como referência para avaliar a disputa.
É importante, entretanto, fazer uma distinção: a suspensão determinada pela Justiça Eleitoral não significa automaticamente que todos os números apresentados pelo Projeta sejam falsos.
O que a decisão questiona é a possibilidade de fiscalização do levantamento diante da ausência das informações exigidas pela legislação.
Na prática, porém, a suspensão pode alterar a repercussão política dos resultados, principalmente porque a pesquisa já havia sido divulgada e compartilhada antes da decisão judicial.
EFICAZ APONTA DAVID ALMEIDA EM SEGUNDO
Em um cenário diferente, a pesquisa realizada pelo Instituto Eficaz e divulgada em 28 de agosto apresenta Omar Aziz na liderança da corrida pelo Governo do Amazonas, com 24,3% das intenções de voto no cenário estimulado.

David Almeida aparece numericamente em segundo lugar, com 19,9%.
Logo atrás estão Roberto Cidade, com 19,7%, e Maria do Carmo, com 18,4%.
Os números, porém, precisam ser analisados levando em consideração a margem de erro de três pontos percentuais.
A diferença entre David Almeida e Roberto Cidade é de apenas 0,2 ponto percentual. Maria do Carmo também está muito próxima, com 18,4%.
Isso significa que, tecnicamente, os três candidatos estão dentro de uma faixa de empate, considerando a margem de erro.
Portanto, embora David Almeida apareça em segundo lugar na fotografia numérica do levantamento, os dados não permitem afirmar que sua presença no segundo turno esteja matematicamente garantida.
O resultado mostra, sim, que o candidato está atualmente entre os nomes mais competitivos da disputa.
COMPARAÇÃO ENTRE OS DOIS LEVANTAMENTOS
A principal diferença entre os dois casos está justamente na natureza da controvérsia.
No levantamento do Projeta, a Justiça Eleitoral determinou a suspensão da divulgação porque apontou a falta de informações necessárias para verificar a metodologia da pesquisa.
No levantamento do Eficaz, por sua vez, são apresentados dados técnicos como quantidade de entrevistados, período da coleta, municípios pesquisados, margem de erro e nível de confiança.
A pesquisa Eficaz ouviu 1.517 eleitores entre os dias 24 e 27 de agosto, em Manaus e em 11 municípios do interior do Amazonas.
O levantamento informa margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AM-04910/2026.
Essa diferença é relevante porque uma pesquisa eleitoral não deve ser analisada apenas pela posição ocupada pelos candidatos na tabela.
Também é necessário verificar como os dados foram coletados, qual foi o tamanho da amostra, onde as entrevistas foram realizadas, quando ocorreram e quais são os parâmetros estatísticos utilizados.
DAVID ALMEIDA TEM CRESCIMENTO, MAS DISPUTA CONTINUA ABERTA
Outro ponto apresentado pelo Instituto Eficaz é a comparação com seu levantamento anterior, divulgado em junho.
Segundo os números apresentados, David Almeida cresceu 0,9 ponto percentual e manteve a segunda posição na série histórica do instituto.
O resultado pode ser interpretado pela campanha do candidato como sinal de crescimento e consolidação de sua candidatura.
Entretanto, os próprios números demonstram que ainda existe uma disputa bastante apertada pelas primeiras posições.
Omar Aziz lidera com 24,3%, mas David Almeida aparece com 19,9%. Roberto Cidade tem 19,7%, enquanto Maria do Carmo registra 18,4%.
Assim, uma oscilação dentro da margem de erro pode alterar a ordem dos candidatos.
O levantamento não determina antecipadamente quem estará no segundo turno. Ele representa apenas o comportamento dos eleitores no período em que as entrevistas foram realizadas.

PESQUISAS NÃO DEFINEM O RESULTADO DA ELEIÇÃO
A comparação entre os dois episódios deixa uma lição importante para o eleitor amazonense.
Pesquisa eleitoral é uma fotografia de determinado momento, e não o resultado da eleição.
Além disso, a credibilidade de um levantamento depende não apenas dos percentuais divulgados, mas também da transparência das informações que permitem verificar como esses percentuais foram obtidos.
No caso do Projeta, a Justiça Eleitoral entendeu que a ausência de informações obrigatórias comprometia a fiscalização e, por isso, suspendeu a divulgação.
No caso do Eficaz, os números divulgados apontam Omar Aziz na liderança e David Almeida em segundo lugar, mas com Roberto Cidade e Maria do Carmo muito próximos, dentro da margem de erro.
Portanto, transformar os 19,9% de David Almeida em uma afirmação definitiva de que ele já está garantido no segundo turno seria uma interpretação além do que os próprios números permitem.
O que a pesquisa mostra é que, no momento da coleta, David Almeida aparece numericamente na segunda colocação e integra o grupo de candidatos que disputam de maneira mais equilibrada as vagas para o segundo turno.

ELEITOR DEVE TER CAUTELA COM NÚMEROS NAS REDES SOCIAIS
A diferença entre os dois casos também reforça a necessidade de cautela na forma como pesquisas são compartilhadas nas redes sociais.
Um percentual isolado pode ser utilizado para construir uma narrativa política completamente diferente daquela apresentada pelo conjunto dos dados.
No caso do Projeta, os números chegaram a circular amplamente antes da suspensão judicial.
No levantamento do Eficaz, embora David Almeida apareça em segundo lugar, a diferença de apenas 0,2 ponto percentual para Roberto Cidade e de 1,5 ponto para Maria do Carmo demonstra que a disputa permanece aberta.
Por isso, o eleitor deve observar não apenas quem aparece em primeiro, segundo ou terceiro lugar, mas também a margem de erro, o tamanho da amostra, o período da coleta e as condições de registro e divulgação do levantamento.
A corrida pelo Governo do Amazonas, pelos números apresentados até agora, permanece sem uma definição clara.
Enquanto uma pesquisa teve sua divulgação suspensa por problemas relacionados à disponibilização de informações obrigatórias, outra aponta um cenário de forte equilíbrio entre os candidatos que disputam as primeiras posições.
A conclusão mais segura, portanto, é que a eleição ainda está em aberto e qualquer tentativa de apresentar o segundo turno como definido neste momento não encontra respaldo suficiente nos números da pesquisa Eficaz.






